Mais que um assento, um posicionamento: Banco Vermelho é instalado na Praça dos Ipês
Secretarias: Saúde, Gabinete do Prefeito, Educação, Cultura, Desporto e Turismo
Data de Publicação: 4 de maio de 2026
O enfrentamento à violência contra a mulher exige ações permanentes, visíveis e comprometidas com a transformação social. Em Bom Princípio, este trabalho vem sendo construído com diálogo, informação e mobilização da comunidade — e ganha, agora, um novo marco simbólico.
Na tarde desta quinta-feira, foi oficialmente entregue o Banco Vermelho, símbolo internacional de alerta e conscientização sobre a violência contra a mulher. A iniciativa representa mais um passo dentro de um conjunto de ações já desenvolvidas pelo município, especialmente ao longo do mês de março, quando campanhas educativas, encontros com mulheres e momentos de orientação sobre a Rede de Apoio reforçaram o compromisso com a prevenção, o acolhimento e a informação. A instalação do Banco Vermelho na Praça dos Ipês e o compromisso de abraçar a causa foram propostas pela primeira-dama Letícia Chassot e da esposa do vice-prefeito, Lisete Liell.
Mais do que um elemento, o Banco Vermelho passa a ocupar espaço como um chamado permanente à reflexão, lembrando que o combate à violência exige envolvimento coletivo e atuação contínua. Além da frase: Sentar para refletir. Levantar para agir! o banco conta com uma placa com QR Code que direciona para informações sobre a rede de apoio e orientações para quem precisa de ajuda.
Autoridades destacam responsabilidade coletiva no combate à violência
No ato de entrega do Banco Vermelho, as autoridades presentes reforçaram o compromisso do município com o enfrentamento à violência contra a mulher. Também destacaram a importância de transformar o símbolo em atitude concreta no cotidiano.
Em seu pronunciamento, a primeira-dama Letícia Chassot destacou a honra de participar do momento. Ela também ressaltou a importância de lembrar a origem da luta que deu visibilidade à violência contra a mulher no Brasil, a partir da Lei Maria da Penha.
Ela ressaltou que, ao longo dos anos, a legislação avançou e se tornou mais rígida, ampliando mecanismos de proteção às vítimas. Citou ainda a legislação municipal que impede a nomeação, no serviço público de Bom Princípio, de pessoas condenadas com base na Lei Maria da Penha — medida que reforça o posicionamento institucional do município.
Letícia afirmou ainda que o poder público pode e deve unir forças para oferecer uma assistência cada vez mais efetiva às mulheres vítimas de violência, criando condições para que possam recomeçar com mais segurança e dignidade. Reconheceu que os avanços acontecem em passos graduais, mas destacou que os resultados já são percebidos. Por fim, reforçou que o município está atento, ativo e disposto a ampliar ações, abrindo espaço para que a comunidade também contribua com ideias e sugestões para fortalecer ainda mais a rede de proteção.
Em sua manifestação, a juíza Lara Guimarães Trein destacou o simbolismo do Banco Vermelho e o peso que ele carrega. Segundo ela, mais do que um objeto, o banco representa vidas interrompidas e famílias marcadas pela violência.
Ela ressaltou que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma questão social que exige o envolvimento de toda a comunidade. “Cada número nos processos representa uma história, uma mulher que teve sua vida impactada”, pontuou.
A magistrada também reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher não se limita à punição dos agressores. Para ela, é fundamental fortalecer a prevenção, a rede de apoio e o acolhimento às vítimas, antes que a tragédia aconteça.
Por fim, fez um apelo à população: que o banco sirva como alerta permanente. “Que ele nos convide a refletir, a não silenciar e a agir”, afirmou, reiterando o compromisso do Judiciário com a proteção da vida das mulheres.
Já a juíza de Direito Priscila Anadon Carvalho destacou a importância do fortalecimento das ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Durante sua fala, ressaltou que, desde 2022, não há registros de casos na Comarca do Caí, manifestando satisfação em acompanhar o movimento desenvolvido em Bom Princípio. Ainda assim, reforçou que a prevenção e a conscientização seguem sendo fundamentais.
Priscila enfatizou a necessidade de que mulheres em situação de violência se sintam encorajadas a denunciar. Segundo ela, a medida protetiva é importante e tem efeitos concretos sobre o acusado. No entanto, destacou que é essencial buscar ajuda e formalizar a denúncia, reforçando que mulheres não devem sentir vergonha em pedir proteção.
A magistrada também mencionou as diferentes formas de violência contra a mulher, alertando que muitas ainda são naturalizadas. Defendeu que a mudança precisa começar pela educação, destacando o papel da Secretaria de Educação na construção de uma nova cultura de respeito e prevenção. Para ela, é desde a infância, com diálogo e orientação, que se formam cidadãos mais conscientes.
Por fim, chamou atenção para o impacto social destes crimes, lembrando das crianças que se tornam órfãs de mãe — e, muitas vezes, também de pai — em decorrência da violência. Segundo a juíza, enfrentar esta realidade é uma responsabilidade coletiva e uma forma de proteger também o futuro das próximas gerações.
Lisete Liell, esposa do vice destacou a importância do Banco Vermelho como símbolo de defesa das mulheres e lembrou que a violência pode se manifestar de diferentes formas. Ela reforçou que o poder público está abraçando a causa, incentivou a denúncia e afirmou que há uma rede de apoio preparada para acolher quem precisar.
Encerrando os discursos da solenidade de entrega do Banco Vermelho, o prefeito Vasco Brandt destacou a satisfação em contar com a presença das autoridades e da comunidade que prestigiou o evento. Em sua fala, ressaltou o espaço conquistado pelas mulheres na sociedade ao longo dos anos, destacando que sua voz está cada vez mais presente nos diferentes segmentos sociais. No entanto, observou que ainda existem realidades que dificultam e, muitas vezes, retraem esta participação plena.
O prefeito também citou a presença feminina na Câmara de Vereadores e a importância de ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão, destacando a competência e a contribuição delas para a sociedade.
Vasco reconheceu avanços, mas reforçou que ainda existem problemas que não podem ser silenciados. Neste sentido, afirmou que o município está aberto e disposto a atuar em rede para apoiar e proteger mulheres em situação de violência. Ele defendeu que o objetivo deve ser trabalhar para que a violência contra a mulher chegue a zero, por meio da construção de uma cultura de prevenção e conscientização, iniciando este trabalho dentro das famílias e com os filhos.
“O município não tolera violência contra mulheres”, afirmou, destacando a importância de ações conjuntas entre poder público e sociedade. Ao final, reforçou o compromisso de “abraçar a causa” e fortalecer o enfrentamento à violência de gênero no município.
Além das autoridades que fizeram o uso da palavras, estiverem presentes representantes da Polícia Civil e da Brigada Militar, Bombeiros Voluntários, Câmara de Vereadores, secretarias de Educação, Cultura, Desporto e Turismo, Saúde e Assistência Social, do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (COMDIM), Emater/Ascar e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bom Princípio.
O Banco Vermelho
É um símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Instalado em espaços públicos, ele chama a atenção para os casos de feminicídio e demais formas de violência, convidando a sociedade à reflexão, à denúncia e ao compromisso coletivo de proteger e valorizar a vida das mulheres.
